Eu como uma grande maioria dos trabalhadores do mundo, utilizo este transporte muitas vezes infernal e totalmente sem noção e perigoso chamado ônibus urbano.
Digo infernal porque quem nunca perdeu um compromisso por que o FDP do ônibus demorou mais que o esperado? Ou passou lotado demais e não parou no ponto? Ou pior, o motorista “andou” pra você se sacudindo, igual a uma crise convulsiva no ponto de tanto dar sinal pra chamar a atenção do infeliz e ele passa direto, e ainda ri da cara do babaca que tentou fazer ele parar e perder o “tempo “ dele. Sim, pois a grande maioria deles tem “tempo de percurso” e tem de seguir a risca o maldito. Mesmo que signifique deixar alguns infelizes passageiros para trás. E alguém já ligou pra reclamar deles pra ouvidoria das empresas de ônibus? Eu já tentei e nunca consegui.
Fora que, alguns motoristas se sentem os “donos” da rua. Aí entra o nome perigoso. E coitados dos carros e principalmente motos que tentem ultrapassá-los. E eles estão sempre certos, afinal são maiores e no mundinho deles o maior sempre tem razão. Um dia, estava eu voltando do meu trabalho tranquilamente de cabeça baixa lendo, com o motorista correndo na velocidade da luz com o dito cujo, e de repente surge em cima de mim uma chuva de vidro, milhares de pedaço. Eu assustada, olho para o lado, achando que alguém atirou uma pedra no vidro com raiva porque o bus não havia parado (já vi isso acontecer), porém, milagre...... Os vidros estão intactos. Com cara de retardada maior ainda, e com a maioria dos poucos corajosos passageiros me olhando perguntando se eu me machuquei e a senhora que estava do meu lado com uma criança de colo dormindo também, eu disse que não, que tinha sido só o susto e que eu não havia me cortado. Aí, o dono da razão (o motorista), começa a xingar o outro do ônibus que vêm atrás, para no meio da rua e começa a discussão: os 2 semi Deuses estavam discutindo pra saber quem estava errado, o meu que passou a 500 por hora ou o outro, que estava manobrando pra sair do ponto e não viu que o outro vinha embalado atrás. Resultado, os 2 retrovisores (do meu ônibus o da porta e do outro o do lado do motorista) simplesmente pulverizados pela força do impacto. E aí descubro de onde veio a chuva de caquinhos de vidro misteriosa. Se eu contasse todas as histórias.....haja blog...
Agora, quanto aos passageiros, também é um capítulo a parte. Fico mortificada com a falta de educação e humanidade de alguns. Tirando os sem noção que viajam escutando música no volume de trio elétrico carnavalesco, as crianças que vêm das escolas e aproveitam a ausência de responsáveis pra fazer bagunça no ônibus (e dependendo da região que o ônibus transita, é até perigoso repreender severamente uma criança dessas, pois não saber de “quem” elas são filhos), os pedintes, os vendedores ambulantes com aquele texto básico que todo mundo que anda de bus conhece, os engraçadinhos que tentam se aproveitar do aperto pra apertar as mulheres e até os homens também (já vi um cara ser entregue pelo motorista na delegacia, ele era conhecido como o tarado do 485)...bem, é uma “torre de babel” andar de ônibus.
Por incrível que pareça, assaltos são coisas esporádicas hoje em dia. Afinal, é mais lucrativo vender droga que assaltar um bus e ser reconhecido na rua (há poucos dias saiu no jornal O dia: uma mulher foi assaltada no ônibus quando estava indo pra praia. Quando chegou lá, reconheceu o assaltante na praia tranquilão pegando sol e chamou a polícia e o infeliz foi preso) ou fazer merda dentro do ônibus e quando chegar à favela ou morro ser disciplinado pelos chefes. O que me deixa com profunda decepção são as pessoas que não pensam nos outros. Vou explicar melhor: alguns dias no mês trabalho em um hospital a noite, e vou pra barra pegar um bus até este hospital que é mais rápido ir pela via expressa. Até uns 2 anos atrás, a galera da baixada e de municípios ao redor da cidade do rio, se precisasse ir pra barra ou final da zona sul, penava. Tinha de pegar 3,4 bus até lá. Hoje, por intermédio e olhar lucrativo da prefeitura e de algumas empresas de transporte, já existem ônibus direto da maioria dos municípios que fazem divisa com o do rio de janeiro e da baixada fluminense. E então, quase sempre vejo essa cena. À medida que o ônibus avança sobre os pontos, ele vai enchendo. Quando chega nos últimos, próximos a entrada da via expressa, ele está geralmente cheio mas não lotado. E começa a gritaria com o motorista, xingando o coitado e quase obrigando ele a não parar para as pessoas que estão no ponto esperando. Acho um desrespeito gigantesco. Com o motorista que está fazendo o serviço dele direito, e com os passageiros que estão do lado de fora. Afinal, todos querem chegar a casa logo, pois outro dia a maioria tem de acordar de madrugada pra trabalhar novamente. E sinceramente, não é da conta de ninguém o que cada um tem de fazer em casa. Afinal, quem mandou nascer e ser pobre e não ter e não querer estudar e se mudar pra um local melhor? Ou comprar um carro? Ou arrumar um emprego que não tenha de acordar de madrugada pra poder pegar o ônibus?Mas, existem algumas boas almas nos ônibus. Já vi motoristas estacionarem os ônibus pra ajudar passageiros idosos e deficientes, alguns educados que falam bom dia e boa noite. Que são atenciosos quando os passageiros lhe fazem alguma pergunta sobre o trajeto...
Eu mesma durante a faculdade utilizei por dois anos um mesmo ônibus nos mesmos horários. Conheci todos os motoristas e trocadores desse período. Muitas vezes eu voltava dormindo, e eles me acordavam quando estava perto do meu ponto. Já fui até uma vez repreendida por um porque não peguei o ônibus no horário e ele ficou parado no ponto, me esperando por 10 minutos achando que eu estava atrasada e pra impedir que eu perdesse o último ônibus e tivesse de pegar outros 2 pra conseguir chegar em casa. E passando só por “pontos famosos” do rio: Parada de Lucas, cidade alta, pavuna, acari, complexo do alemão, jacaré, .... E eu estudava na contramão da maioria da população. Eu moro no centro do Rio e estudei na baixada, porque no meu curso a melhor universidade particular ficava exatamente lá.
E agora saio também em defesa dos mesmos. Estes microônibus ou os micrões (que se não me engano estão numa disputa judicial com a prefeitura por conta do numero de lugares) são uma tentativa de assassinato. Do motorista e do passageiro. È um absurdo obrigar o motorista a exercer duas funções, trocador e motorista. Cadê as leis de trânsito? Sabe aquela que diz que o motorista tem de manter as duas mãos ao volante, com exceção da hora da troca de marcha? E a que diz que o mesmo tem de manter constante atenção a sua frente e aos retrovisores? Pra que fazemos aquela PORRA de aula chata e maçante, como um purgatório antes de conseguir passar pelos carrascos do DETRAN e tirar o tão sonhado passaporte de liberdade (vulgo direito de ir e vir e Tb conhecido como carteira de habilitação)? Quer ver como é? É só pegar um deles. Ainda mais se estiverem atrasados no “tempo de percurso”. Eles pegam o dinheiro da nossa mão, dirigem, passam a marcha, conferem o troco, TUDO AO MESMO TEMPO!!!!!!!!!!!! E o passageiro em pé, se segurando como pode pq a trava eletrônica não deixa ele avançar pra dentro do coletivo e se ele fizer isso antes do pobre coitado do motorista conferir o valor da passagem, ele pode estar arrumando um problema. Afinal, não tem como o motorista dar o troco depois de passar, pela distância e tem muito engraçadinho (que é o máximo da pobreza) que dá o valor errado de sacanagem.
Outro dia, voltando à noite, cinco ótarios vindos da farra na rua, obrigaram o motorista a os deixareles passar. Foi à maior confusão. Eu me conti pra não entrar nela e dar uns sopapos nos marmanjos. Afinal, se falta dinheiro no caixa, o motorista paga. Ele falou isso pra eles, e eles riram na cara dele, querendo tirar onda. Ainda bem que faltavam apenas dois pontos, pq a voz deles me irritavam. E ainda tentaram me cantar. Eles não sabem o perigo que correram.... Rs.
Bem, seguirei após dando meus comentários sobre os outros meios de aborrecimento, ops, digo transporte da cidade.
Beijocas
Think tank.
terça-feira, 31 de março de 2009
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